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Janna Top com Smite — como a gente chegou nesse ponto?

RileaPublicado 15 de fevereiro de 2022

Nas últimas semanas, a solo queue foi tomada por uma nova febre: Janna top com Smite. E não parou aí — com win rate acima de 55% em alguns elos, a estratégia já apareceu no LCS e em alguns ERLs. Vamos destrinchar como essa build funciona e como virou esse abuso tão frustrante (e poderoso) das mecânicas do jogo.

Visão geral

A Janna top começa comprando Spellthief's Edge e joga na rota de topo até o nível 3. Ao atingir o nível 3, ela abandona completamente a lane e passa a rodar o mapa junto com o jungler na estratégia do 'double jungle', ajudando no clear e nos ganks nas outras rotas. É aqui que mora o poder da Janna top: você sacrifica uma rota inteira para ter pressão absoluta no resto do mapa:

  • O mid e o bot adversários precisam jogar super na defensiva, porque se esticarem demais, arriscam levar gank do jungler e da Janna — não só do jungler
  • O jungler inimigo não consegue gankar a top, já que não tem ninguém lá, e sempre fica em desvantagem numérica se tentar countergankar a lane que está sendo gankada pela dupla Janna + jungler
  • E o jungler inimigo ainda pode ser invadido pela dupla do double jungle e vai perder a maioria das escaramuças — ou perder os camps para os dois Smites

Depois da fase de rotas, a Janna simplesmente joga como uma Janna normal nas team fights: gruda no time e protege os aliados.

O que torna a estratégia tão eficaz é que Janna é uma enchanter, ou seja, ela não precisa de muito gold nem de experiência para fazer diferença. Ela acumula boa parte do gold dos itens de core (Moonstone Renewer, Shurelya's Battlesong, Chemtech Putrifier etc.) só pegando assists e procando a Spellthief's Edge — então nem sente falta do farm da top que deixou pra trás. Além disso, o kit dela não precisa de muitos níveis para ficar forte, então ela pode abrir mão de experiência na fase de rotas sem ser punida e recuperar essa diferença dividindo xp mais tarde no jogo.

Como isso aconteceu?

A rota de topo sempre foi um pesadelo pra balancear; é a ilha deserta que todo mundo ignora durante quase todo o jogo enquanto os outros se divertem. Ela já foi palco de outras estratégias com o mesmo nível de cheese ao longo dos anos — como a meta de lane swap, em que os dois times davam um handshake nos primeiros 6 minutos de partida e trocavam torres entre top e bot.

Essa iteração mais recente de estratégia queijo é consequência de três mudanças principais no jogo:

  • O mini rework da Janna, que a transformou em pick S+
  • As mudanças no Teleport da pré-season, que deixaram os top laners drasticamente mais fracos no early game
  • A introdução das objective bounties

Como os top laners têm muito menos opções de Teleport até ele ficar unleashed aos 14 minutos, eles ficam bem mais fracos no início da partida. Ou seja: uma Janna pode ser locked na top e simplesmente ignorar a rota, porque ela não perde quase nada. O top laner padrão do outro lado vai conseguir uma vantagem absurda de CS e derrubar a torre, mas não vai conseguir fazer muita coisa com o Teleport enfraquecido — enquanto Janna espalha o caos por todo o resto do mapa. Por cima disso, o sistema de objective bounty é calculado com base nas diferenças de experiência e gold entre os dois times. Como já mencionamos, Janna vai ter muito menos xp e gold que o top laner adversário, o que ativa a bounty e ainda dá mais gold para o resto do time quando os objetivos forem capturados. Enquanto isso, Janna continua fazendo diferença com pouquíssimo gold e xp, porque é assim que supports e enchanters funcionam.


E agora?

A Riot confirmou que está trabalhando em cima da estratégia — e agora que ela apareceu em ligas competitivas na frente de centenas de milhares de espectadores, a ação vem aí em breve. O problema é que, mais uma vez, a estratégia expôs falhas intrínsecas da rota de topo e o quão pouco impacto ela tem no jogo como um todo. Nerfar a Janna, aumentar o custo dos itens de support ou mudar o cálculo das objective bounties pode ajudar, mas são soluções de curativo — não resolvem as razões fundamentais pelas quais essa estratégia surgiu e ficou tão forte.

-Rilea







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